Por unanimidade de votos, o plenário da Câmara Municipal de Carmópolis de Minas aprovou, na sessão ordinária realizada no dia 25 de maio de 2026, projeto de lei do vereador Alex Enfermeiro (NOVO) que altera a denominação da via pública atualmente denominada Rua da Prata, localizada no Bairro da Prata, passando a denominar-se Rua Antônio da Costa Ribeiro, mantendo-se a mesma extensão e localização definidas na Lei nº 2.232, de 06 de maio de 2019.
Permanecem inalterados o traçado, início e término da via, conforme croqui integrante da Lei nº 2.232/2019, que a define como a via que se inicia na estrada de acesso ao Córrego da Areia e termina na propriedade da senhora Cleonice Pereira da Silva Gomes.
Em sua justificativa, o vereador Alex Enfermeiro salienta que a iniciativa faz justa homenagem ao senhor Antônio da Costa Ribeiro, cidadão que deixou relevantes serviços prestados à comunidade de Carmópolis de Minas.
Antônio da Costa Ribeiro, carinhosamente conhecido como “Tó da Prata”, nasceu em 29 de maio de 1939, no povoado do Córrego da Prata, em Carmópolis de Minas. Filho da roça, cresceu cercado pela simplicidade do campo, aprendendo desde cedo os valores da humildade, da honestidade e do trabalho digno. Lavrador por toda a vida, encontrou na terra seu sustento e também seu orgulho. Plantava milho, feijão e arroz, enfrentando cada amanhecer com coragem e disposição. Em suas mãos calejadas carregava a história de um homem trabalhador, que construiu sua trajetória baseada no amor à família, no respeito ao próximo e na força da simplicidade.
Casou-se com Margarida, sua primeira e única namorada, com quem construiu uma família sólida e abençoada. Juntos tiveram sete filhos, aos quais dedicou sua vida inteira. Foi um pai presente, cuidadoso e generoso, ensinando mais pelos exemplos do que pelas palavras. Criou seus filhos com honra, humildade e caráter, deixando em cada um deles marcas eternas de amor e ensinamentos.
Conhecido pelo coração imenso e pelo jeito alegre de viver, Tó da Prata fazia de sua casa um lugar de acolhimento. Sempre disposto a ajudar, abriu as portas de seu lar para pessoas que precisaram de amparo, como José Vaz, que viveu temporariamente com a família, e Eni, que permaneceu ao seu lado por 57 anos, sendo considerada por ele como uma filha.
Mesmo sem saber ler ou escrever, possuía uma sabedoria rara, adquirida pela experiência da vida. Homem simples e matuto, sempre tinha um conselho sincero, uma palavra amiga ou um gesto de carinho para oferecer a quem o procurasse. Para muitos, foi mais do que um amigo — foi um verdadeiro pai.
Uma de suas marcas mais conhecidas era a inseparável companhia de seu cavalo Catalão. Todos os dias, montado nele, seguia rumo à cidade para entregar o leite tirado de suas poucas vaquinhas. De porta em porta, levava não apenas o leite fresco, mas também simpatia, respeito e amizade. Pelo caminho, espalhava alegria, especialmente entre as crianças, que aguardavam ansiosas pelos passeios em seu cavalo. Com simplicidade, criava memórias inesquecíveis e encontrava felicidade nas pequenas coisas da vida.
Entre suas grandes paixões também estavam as tradicionais caçadas de domingo. Ao lado de seus cachorros e amigos de longa data, vivia momentos de companheirismo, histórias e muitas risadas. Gostava de contar causos, reunir a família e encantar os netos com suas lembranças e seu jeito cativante. Para eles, era puro xodó — um avô amoroso que deixou recordações eternas.
Seu amor pela terra e pela família fez nascer um grande sonho: manter todos unidos. Por isso, dividiu sua pequena roça em sete partes, para que cada filho pudesse construir sua morada próximo dos demais, preservando a união familiar que tanto valorizava. Com orgulho, costumava dizer: “Sou o homem mais feliz do mundo, porque tenho a melhor família. E ainda vou ter o prazer de ver todos aqui, construindo seus lares, reunidos.” Com o passar dos anos, esse sonho foi se tornando realidade. Cada filho, à sua maneira, manteve vivas as raízes daquela terra simples, onde permanecem o amor, a união e as lembranças construídas ao longo da vida.
Homem justo, honrado e leal, Tó da Prata conquistou o respeito e a admiração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Seu maior refúgio era sua casinha simples no povoado da Prata, lugar onde construiu sua história, cultivou amizades sinceras e espalhou amor por onde passou.
No dia 2 de novembro de 2018, aos 79 anos, Antônio da Costa Ribeiro partiu, vítima de um aneurisma da aorta. Sua partida deixou uma saudade eterna, mas também um legado impossível de ser apagado: o amor pela família, a simplicidade, a generosidade, a honra e a lealdade. Tó da Prata não foi apenas um homem da roça. Foi um homem de alma grandiosa, daqueles que deixam marcas profundas na vida das pessoas e permanecem vivos para sempre na memória e no coração de quem o amou.
A homenagem por meio da denominação de via pública perpetua sua memória e reconhece sua importância para a história e o desenvolvimento do município. Diante de sua trajetória e dos relevantes serviços prestados à comunidade, a presente homenagem revela-se justa e merecida.

